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Brasil precisa aumentar participação de fontes limpas

No cenário de mudanças de fontes de energia na matriz energética mundial, o Brasil se posiciona de forma privilegiada devido principalmente à participação das hidrelétricas na geração de eletricidade e do etanol no transporte.

Valor Econômico - 28/08/2017

Por Martha San Juan França

No cenário de mudanças de fontes de energia na matriz energética mundial, o Brasil se posiciona de forma privilegiada devido principalmente à participação das hidrelétricas na geração de eletricidade e do etanol no transporte. Em 2016, 44% de toda a oferta no país veio de renováveis, aumento de 2,2% em relação a 2015 e bem acima da média mundial. O desafio, portanto, em relação ao combate às mudanças climáticas, é manter a participação de renováveis na matriz de geração.

O país se comprometeu na CoP-21 em Paris a reduzir as emissões de carbono e outros gases do efeito-estufa em 37% em 2025, em relação aos níveis de 2005, e em 43% na mesma base de comparação até 2030. Para o setor de energia, estabeleceu três metas: atingir a participação de 45% de energias renováveis na matriz energética em 2030; aumentar a participação de bioenergia para 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis; e expandir o uso de fontes renováveis, além da energia hídrica na matriz total de energia para uma participação de 28% a 33% até 2030.

"As metas brasileiras eram ambiciosas quando havia uma expectativa de crescimento da economia", afirma Roberto Schaeffer, da Coppe/UFRJ. "Mas ficou mais fácil de cumprir porque, devido à retração econômica, a geração de energia registrou queda nas emissões, uma vez que o consumo caiu. Quando a economia voltar a crescer nos próximos anos, será preciso expandir a geração em outro cenário. Aí o país corre o risco de não ter feito as ações necessárias para atender suas necessidades."

As hidrelétricas de grande porte ainda constituem a principal fonte de geração de energia elétrica do país, correspondendo a 61,3% da produção, mas começam a enfrentar limites no que se refere aos custos e às exigências ambientais e de deslocamento da população. Na região amazônica, a implantação de novas usinas enfrenta dificuldades de viabilização técnica e econômica e impõe desafios logísticos devido a necessidade de extensas linhas de transmissão até os grandes centros consumidores.

"Será preciso considerar a hidroeletricidade nesse contexto com as outras tecnologias alternativas, como a energia eólica, pequenas centrais hidrelétricas, energia fotovoltaica e bionergia porque também temos um enorme potencial de aproveitamento", diz Gilberto Jannuzzi, do Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais da Fapesp.

"Mas essas alternativas também oferecem desafios, por exemplo, da escala de consumo. São fontes descentralizadas, de pequeno porte, não são constantes e portanto não é possível depender somente delas. Além disso, será preciso otimizar a rede de distribuição para se adequar a esse novo mercado de geração e consumo de eletricidade", diz.

Segundo Jannuzzi, todas essas fontes têm um papel importante na matriz energética brasileira, mas a curto prazo o planejamento do país privilegia soluções convencionais. Desde 2010, aumentou a participação da geração termelétrica no sistema de fornecimento de eletricidade, em especial do gás natural, o que tem vários inconvenientes, a começar pelo aumento na emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento global. "Faz parte do processo de planejamento não ficar preocupado apenas com a oferta de energia, mas olhar também a forma de consumo. O olhar para a frente passa pelo uso de fontes renováveis, eficiência energética, mas também pela possibilidade de planejar de forma diferente."

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